Educação Religiosa


27 – OsA�ias


IntroduA�A?o ao Livro de OsA�ias

 

OsA�ias viveu no sA�culo VIII a.C. e foi provavelmente o A?nico profeta literA?rio do Reino do Norte, Israel. Neste perA�odo, Israel vivia sua era de ouro com o reinado de JeroboA?o II. O nome OsA�ias tem a mesma raiz de JosuA�, que significa salvaA�A?o. Seu ministA�rio comeA�ou cerca de 10 anos depois de AmA?s ter saA�do de JudA? levando seus orA?culos profA�ticos ao Reino do Norte, e durou no mA�nimo 25 anos, jA? que o primeiro verso do livro diz que OsA�ias profetizou entre os reinados de Uzias, JotA?o, Acaz e Ezequias de JudA? e JeroboA?o II de Israel.

Seus escritos estA?o entre os mais antigos orA?culos profA�ticos registrados e sua obra inicia a seA�A?o da BA�blia Hebraica chamada O livro do Doze, embora AmA?s anteceda OsA�ias. O livro de OsA�ias abrange o perA�odo AssA�rio (de meados ao final do sA�culo VIII a.C.) junto com os livros de AmA?s, Jonas e MiquA�ias.

O livro A� centralizado numa circunstA?ncia curiosa, pois Deus mandara OsA�ias casar com uma prostituta chamada GA?mer, resultando numa uniA?o trA?gica. O casamento de OsA�ias A� de importA?ncia fundamental para seu ministA�rio, uma vez que a atitude adA?ltera de GA?mer simbolizava o comportamento adA?ltero de Israel ao se afastar de JavA�. Deste casamento saA�ram trA?s filhos, Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. A mensagem de OsA�ias, anunciada durante estes muitos anos transmitia o julgamento e a graA�a de JavA� para um povo rebelde e adA?ltero.

OsA�ias foi um profeta do Reino do Norte que pregou para seu prA?prio povo, Israel. PorA�m, mesmo com a incumbA?ncia de profetizar entre seus compatriotas nA?o se furtou de denunciar o Reino do Sul, JudA?. Este destaque A� importante pois hA? estudos afirmando que as citaA�A�es sobre JudA? nos escritos de OsA�ias tratam-se de adiA�A�es posteriores ao texto original com o fim de engrandecer JudA?, porA�m esta conclusA?o nA?o se sustenta, visto que a maioria dessas citaA�A�es tem um forte teor de reprovaA�A?o.

A�A�A�A�A�A�A�A�A�A�A� O ministA�rio de OsA�ias foi exercido principalmente em virtude de dois fatores:

  • a quebra da AlianA�a deuteronA?mica por parte do povo
  • a ameaA�a de invasA?o da AssA�ria em Israel

O trabalho de OsA�ias provavelmente comeA�ou apA?s a morte de JeroboA?o II em 753 a.C. e terminou quando houve a invasA?o AssA�ria por Salmaneser V em 722 a.C. (2 Rs. 17:1-34). A mensagem escrita de OsA�ias provavelmente foi escrita no perA�odo entre o pagamento de tributo do rei MenaA�m a Tiglate-Pileser da AssA�ria (739 a.C.; Os. 5:13; 8:9; 12:1) e um pouco antes da queda de Samaria (722 a.C.) jA? que ele nA?o menciona este fato. A cronologia dos escritos de OsA�ias podem ser identificados devido A�s menA�A�es que ele faz da guerra siro-efraimita em 735 a 734 a.C. (Os. 5:8 – 6:6).

Israel vivia nesta A�poca um renascimento polA�tico e econA?mico graA�as A�s campanhas empreendidas pelo pai de JeroboA?o II, JeoA?s (2 Rs. 13:25). JeroboA?o II continuou com a polA�tica expansionista de seu pai e chegou a reconquistar os territA?rios de Israel tornando-os semelhantes ao perA�odo de Davi e SalomA?o (2 Rs. 14:25-28).A� A estabilidade conseguida criou uma sA�rie de comerciantes ricos e prA?speros em Israel, havia muito luxo e pompa na corte do Reino do Norte, alA�m de muita fartura de gA?neros agrA�colas.

PorA�m, este reinado de prosperidade ganhou dos profetas outra avaliaA�A?o bem diferente. AmA?s, profetizando para Israel, algum tempo antes de OsA�ias, denunciou as prA?ticas abusivas contra os pobres, a polA�tica corrupta, opressiva e injusta do governo de JeroboA?o II (Am. 2:6-16). O resultado foi a expulsA?o de AmA?s (Am. 7:10-17).

A prosperidade gerou corrupA�A?o moral e social (Os. 9:9), cujos frutos foram a ganA?ncia e orgulho. A apostasia e a idolatria foram outros problemas que Israel enfrentou. JavA� recorre ao grande episA?dio de redenA�A?o do Antigo Testamento, o ASxodo do Egito, para criticar sua postura religiosa (Os. 11:2; 13:1-2) e sua polA�tica externa, ao chamA?-la de “vento oriental” (Os. 12:1).

A histA?ria subsequente de Israel comprovou a veracidade dos orA?culos de OsA�ias (Os. 10:7), pois, apA?s a morte de JeroboA?o II, uma sA�rie de golpes polA�ticos para a tomada do trono de Israel foram sepultando cada vez mais o Reino do Norte. Quatro dos seis A?ltimos reis de Israel em 30 anos foram assassinados, e seu A?ltimo rei, OsA�ias (nA?o confundir com o profeta), foi levado cativo para a AssA�ria (2 Rs. 17:6).

A polA�tica interna de Israel desestabilizou a diplomacia com as demais naA�A�es (Os. 7:11). A tabela abaixo ilustra a sequA?ncia dos erros polA�ticos de Israel.

DecisA?o polA�tica ReferA?ncia
Para evitar a invasA?o assA�ria, o rei MenaA�m tornou Israel vassalo da AssA�ria ao pagar tributo para Tiglate-Pileser (740 a.C.) 2 Reis 15:9
O rei Peca, de Israel, ataca JudA? em virtude da sua rejeiA�A?o A� coligaA�A?o contra a AssA�ria. Acaz, rei de JudA?, pede ajuda a Tiglate-Pileser, da AssA�ria, oferecendo-lhe um pesado tributo. Isto tornou JudA? vassalo da AssA�ria (735 a.C.). A AssA�ria derrotou esta oposiA�A?o e tomaram todo territA?rio de Samaria, o Reino do Norte, e levaram cativos uma grande quantidade de israelitas para a AssA�ria. 2 Reis 16:5-9;
O rei OsA�ias, do Reino do Norte, buscou a ajuda do Egito para derrotar a AssA�ria. Entretanto esta alianA�a falhou, e, por ter sonegado o tributo devido a Tiglate-Pileser, OsA�ias tornou-se o responsA?vel direto pela destruiA�A?o de Samaria (722 a.C.). 2 Reis 17:1-6

Estrutura de OsA�ias

O livro de OsA�ias pode ser dividido da seguinte forma:

  • CabeA�alho – 1:1
  • O casamento de Oseias com GA?mer, a prostituta – 1:2 – 3:5
  • Os orA?culos de OsA�ias – 4:1 – 14:9

Os capA�tulos 1 a 3 narram a biografia de OsA�ias e seu relacionamento com a prostituta GA?mer. Esta narrativa serve de pano de fundo para os orA?culos contra Israel e fundamentam as profecias dos capA�tulos 4 a 14. Estas profecias relatam o relacionamento de JavA� com Israel e sA?o espelhadas no relacionamento de OsA�ias com GA?mer.

A mensagem profA�tica (caps 4 a 14) de OsA�ias pode ser estruturada em quatro pontos:

  • AcusaA�A?o, com denA?ncias sobre a quebra da alianA�a (4:1-11)
  • Julgamento, com destruiA�A?o e cativeiro (5:1 – 8:14)
  • InstruA�A?o, com um convite ao arrependimento (6:1-3)
  • ConsequA?ncias, com a restauraA�A?o dos justos (14:1-8)

OsA�ias utiliza uma linguagem jurA�dica para enfatizar a quebra da AlianA�a por parte de Israel. Alguns termos sA?o: acusaA�A?o (4;1); culpada e juro (4:15); sentenA�a (5:1); testifica (5:5).

OsA�ias tambA�m usa o nome poA�tico Efraim para referir-se ao Reino do Norte, Israel, e demonstra conhecimento dos termos da AlianA�a ao citar termos como “voltemos” (6:1), “conheA�amos” (6:3), “redimi-los” (7:13), “quebraram”, “alianA�a” e “Lei” (8:1), “amei” (11:1), “acusaA�A?o” (12:2).

PropA?sito e conteA?do

O livro de OsA�ias aborda os seguintes temas:

  • O amor constante amor de JavA� por Israel
  • O justo juA�zo executado por JavA�
  • O empenho de JavA� pela AlianA�a
  • A restauraA�A?o do remanescente por JavA�

O casamento de OsA�ias com GA?mer retratava o relacionamento de Israel com JavA�. Da mesma maneira que GA?mer havia sido infiel com OsA�ias, Israel fora com JavA�, o Deus da AlianA�a. Seu amor rejeitado e restaurado foi o fundamento da sua pregaA�A?o para o povo que havia quebrado a alianA�a (4:15). A pregaA�A?o do profeta estava profundamente influenciada por sua prA?pria experiA?ncia de vida conjugal. Portanto, o objetivo principal nA?o era demonstrar o amor de JavA� por Israel, mas enfatizar o quanto Israel havia se afastado dos princA�pios estabelecidos por Deus com a Lei da AlianA�a.

Os trA?s filhos deste casamento representam caracterA�sticas do relacionamento do povo com JavA� conforme o quadro abaixo:

Nome Significado ExplicaA�A?o
Jezreel Deus semearA?.

 

O julgamento A� anunciado, porA�m a restauraA�A?o tambA�m A� prevista (Os. 2:22ss)

Profecia contra a famA�lia do rei JeA?. A ameaA�a em Os. 1:5 foi provavelmente cumprida com o assassinato de Zacarias, filho de JeroboA?o II, o A?ltimo da linhagem de JeA? (2 Rs. 15:8-12)
Lo’-ruhamA? Desfavorecida.

 

ReversA?o da atitude de Deus para com o povo de Israel.

A confianA�a no livramento e misericA?rdia de JavA� A� substituA�da pela tomada em armas e alianA�as polA�ticas com outras naA�A�es. Deus retira sua misericA?rdia e deixa israel sofrer as consequA?ncias da sua infidelidade. (Os 1:6).
Lo’- ‘ammA� NA?o meu povo.

 

AlianA�a foi quebrada.

JavA� nA?o rejeitou Israel, antes Israel rejeitou a Deus, recusando-se ser o seu povo (Os. 1:8).

O julgamento A� anunciado, porA�m a restauraA�A?o tambA�m A� prevista (Os. 2:22ss)Profecia contra a famA�lia do rei JeA?. A ameaA�a em Os. 1:5 foi provavelmente cumprida com o assassinato de Zacarias, filho de JeroboA?o II, o A?ltimo da linhagem de JeA? (2 Rs. 15:8-12)Lo’-ruhamA?Desfavorecida.

 

ReversA?o da atitude de Deus para com o povo de Israel.A confianA�a no livramento e misericA?rdia de JavA� A� substituA�da pela tomada em armas e alianA�as polA�ticas com outras naA�A�es. Deus retira sua misericA?rdia e deixa israel sofrer as consequA?ncias da sua infidelidade. (Os 1:6).Lo’- ‘ammA�NA?o meu povo.

 

AlianA�a foi quebrada.JavA� nA?o rejeitou Israel, antes Israel rejeitou a Deus, recusando-se ser o seu povo (Os. 1:8).

OsA�ias recorre constantemente ao passado da naA�A?o de Israel e do cuidado de JavA� para com seu povo, que estava baseado na AlianA�a (11:1-4; 12:9; 13:4). OsA�ias demonstra que o amor de JavA� por Israel foi a causa do cumprimento de suas promessas, e da mesma maneira traria a restauraA�A?o.

Os temas da esperanA�a futura (2:14-23) e da destruiA�A?o iminente (5:8-9) foram temas que OsA�ias abordou de acordo com o fundamento da AlianA�a da lei, que previa benA�A?os e maldiA�A�es (Lv. 26:1-39).

OsA�ias foi firme ao questionar a lideranA�a polA�tica e religiosa de Israel (5:1; 6:9; 13:10), mas tambA�m estava com seu coraA�A?o apertado, pois ele sabia o que JavA� estava sentindo ao castigar o filho que tanto amava (11:8).

OsA�ias foi o A?ltimo profeta escritor a declarar juA�zo (6:5) ao reino do Norte antes da invasA?o da AssA�ria e pedir para que o povo voltasse ao conhecimento de Deus (2:5-8; 4:1,6; 5:4, 6:3-6) com arrependimento e regeneraA�A?o da alianA�a (6:1; 14:1).

Entretanto, a prA?pria vida de OsA�ias foi um testemunho eloquente de que JavA� queria restaurar o povo de Israel, que havia adulterado. Essa restauraA�A?o vinha do grande amor de JavA� por seu povo (14:4).

O casamento de OsA�ias

As abordagens interpretativas do casamento de OsA�ias podem ser sintetizadas de acordo com o quadro abaixo:

Abordagem de interpretaA�A?o ExplicaA�A?o
Casamento simbA?lico NA?o foi histA?rico, mas apenas uma alegoria para exemplificar a histA?ria.
Casamento verdadeiro: narrativa em sequA?ncia O casamento aconteceu historicamente. O que muda A� a abordagem no entendimento de GA?mer.

Alguns alegam que GA?merA� jA? era uma prostituta quando se casou com OsA�ias.

Outros afirmar que ela se prostituiu apA?s o casamento, jA? que seria eticamente impossA�vel OsA�ias casar com um prostituta

Alguns sugerem que GA?mer era prostituta no sentido espiritual, A? que adorava outros deusesCasamento verdadeiro: narrativa paralelaO casamento foi histA?rico, porA�m trata-se de uma narrativa escrita em momentos diferentes da histA?ria de OsA�ias.Dois casamentos verdadeirosOsA�ias casa-se com GA?mer ainda virgem no capA�tulo. E o capA�tulo 3 retrata o segundo casamento com uma prostituta desconhecida.

O carA?ter antiA�tico do casamento A� questionA?vel, pois a proibiA�A?o de se casar com prostitutas era aplicada aos sacerdotes, nA?o aos profetas; e OsA�ias nA?o era sacerdote. Entretanto, nem mesmo a designaA�A?o de profeta A� oficialmente atribuA�da a OsA�ias. Portanto, apesar de incomum, o casamento de OsA�ias nA?o poderia ser considerado antiA�tico.

AlA�m disso, Israel estava A� beira de um colapso espiritual, social e moral, e portanto exigiria algo mais alA�m de meras palavras, tal qual IsaA�as que pregou nu e descalA�o durante trA?s anos (Is. 20:1-6).

A adoraA�A?o a baal

De acordo com as estipulaA�A�es da AlianA�a, Israel estava proibido de adorar outros deuses (Ex. 20:1-6; Dt. 4:15-31) e havia falhado em expulsar todos os cananeus da Palestina quando da conquista da Terra prometida (Js. 13:1-7; Jz. 1:22-35). Baal era o deus cananeu responsA?vel pela chuva e fertilidade, elementos primordiais para a agricultura, base de sustento destes povos.

A fim de garantir sua sobrevivA?ncia na terra, Israel passa a apelar para o sincretismo religioso, adicionando prA?ticas pagA?s ao culto monoteA�sta a JavA�, pois nA?o confiavam em sua providA?ncia. Por isso o casamento de OsA�ias foi tA?o significativo, pois representava a prostituiA�A?o (infidelidade) de Israel a fim de obter vantagens materiais.

O conhecimento de Deus

Por diversas vezes OsA�ias toca na tecla do conhecimento de Deus. Este conhecimento nA?o se trata do conhecimento intelectual de Deus, mas em como o povo de Israel deveria se relacionar com JavA�. No Antigo Testamento o conhecimento A� traduzido por um relacionamento A�ntimo com alguA�m, que pode ser traduzido tambA�m por comunhA?o.

Quando JavA� resgatou Israel do Egito houve o compromisso do povo em obedecA?-lo de acordo com a revelaA�A?o da Lei. Quando Israel pecou e recusou-se a obedecer, a alianA�a foi quebrada e somente o arrependimento poderia renovar o pacto. Por isso, de acordo com Os. 6:6, o ritualismo nA?o poderia restaurar a comunhA?o.

Ao tratar sobre o conhecimento OsA�ias abre o caminho que seria percorrido por Jesus quando falou “ninguA�m conhece o Filho, senA?o o Pai; e ninguA�m conhece o Pai senA?o o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt. 11:27). Jesus chega a comparar a salvaA�A?o com o conhecimento de Deus (Jo. 17:3).

O ritualismo

Enquanto os aspectos rituais da religiA?o serviam ao seu propA?sito de adorar a Deus por seus atos grandiosos e lembrar o povo sobre suas obrigaA�A�es para com JavA�, nA?o havia oposiA�A?o nem denA?ncia. O problema era que os aspectos cerimoniais estavam sendo cumpridos (2:11,13; 5:6; 6:6). Entretanto essa religiosidade externa escondia a falta de A�tica e corrupA�A?o.

Os sacerdotes eram os alvos principais de OsA�ias, pois sua funA�A?o era justamente ajudar o povo e ensinar a lei, justiA�a e retidA?o, aspectos totalmente negligenciados por eles. Desta forma se tornaram os responsA?veis pela decadA?ncia espiritual e moral de Israel (4:4-9; 5:1).

O culto havia degenerado para as prA?ticas do culto A� fertilidade dos pagA?os e o povo buscava saber do futuro por meio da magia e, alA�m disso, agradecia-se aos baalins a colheita realizada (2:11-13).

Leia o artigo original no blog do autor.

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