Educação Religiosa


32 – Miqueias


IntroduA�A?o ao Livro de Miqueias

Miqueias viveu na mesma A�poca do profeta IsaA�as e A� mencionado em Jeremias (26:18-19) acerca da destruiA�A?o de JerusalA�m cem anos depois. Esta citaA�A?o aponta para o prestA�gio que Miqueias ainda tinha como profeta do Senhor e o cuidado dos hebreus na preservaA�A?o destes registros. A mensagem de Miqueias, em termos de contundA?ncia, pode ser comparada A� de AmA?s.

A introduA�A?o do livro deixa claro que o perA�odo que Miqueias pronunciou seus orA?culos foi de aproximadamente quarenta anos na segunda metade do sA�culo VIII a.C., antes de 722 a.C. quando Samaria (Reino do Norte) foi aniquilada pela AssA�ria.

Tanto Miqueias quanto IsaA�as sabiam do destino de JudA? em virtude de sua injustiA�a, opressA?o e idolatria; e, embora tenham tratado sobre a acusaA�A?o e julgamento de JavA�, escreveram acerca da esperanA�a de restauraA�A?o para o povo da AlianA�a.

Os profetas Miqueias e IsaA�as formam um contraste interessante, pois um era camponA?s de uma pequena vila a quarenta quilA?metros de BelA�m; o outro era aristocrata e membro da corte real. A despeito de suas diferenA�as sociais, ambos os profetas defenderam a AlianA�a e abordaram a fA� histA?rica de Israel. A origem social de Miqueias talvez explique sua preocupaA�A?o com os pobres e explorados pela realeza.

Provavelmente Miqueias nA?o fosse um profeta profissional e denuncia os sacerdotes e profetas que agem por interesse financeiro (3:11) ou proclamam mensagens favorA?veis de acordo com o pagamento recebido (3:5). Miqueias se fundamenta no EspA�rito do Senhor para anunciar seus orA?culos morais contra Israel, ratificando, desta forma, o seu chamado profA�tico (3:8).

O ministA�rio de Miqueias aconteceu durante a ameaA�a assA�ria. Nesta A�poca as naA�A�es do leste estavam temerosas da crueldade dos assA�rios, famosos pelo tratamento cruel e desumano que dispensavam aos seus prisioneiros. A AssA�ria, em diversas ocasiA�es, sitiara e invadira JudA?, servindo de contexto para algumas profecias. O mais famoso cerco assA�rio foi durante o reinado de Senaqueribe que chegou atA� em JerusalA�m, capital do Reino do Sul. Oseias pA?de atA� mesmo assistir a destruiA�A?o e o cativeiro que a AssA�ria impA?s ao Reino do Norte, Israel.

Todos esses elementos produziram um ambiente de instabilidade polA�tica e social, embora a campanha militar do rei Uzias (ou Azarias), na primeira metade do sA�culo VIII a.C., A�tenha trazido prosperidade econA?mica para alguns poucos privilegiados. Este progresso econA?mico gerou uma classe de comerciantes prA?speros em Israel, e novos estratos sociais. Os pequenos proprietA?rios de terras ficaram muito dependentes desses ricos comerciantes que agora contavam com o apoio do rei.

Este foi o cenA?rio no qual Miqueias pronunciou seus orA?culos contra a injustiA�a social e a hipocrisia religiosa, que se apoiava em rituais de manipulaA�A?o para a obtenA�A?o do favor de Deus.

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Estrutura de Miqueias

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O livro de Miqueias, de acordo com seu conteA?do, pode ser estruturado da seguinte forma:

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  • IntroduA�A?o – 1:1

  • AcusaA�A?o, julgamento e esperanA�a para o povo – 1:2 – 2:11

  • AcusaA�A?o, julgamento, esperanA�a e restauraA�A?o dos lA�deres – 3:1 – 5:15

  • AcusaA�A?o, julgamento e esperanA�a para a naA�A?o – 6:1 – 7:20

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As trA?s seA�A�es de acusaA�A?o comeA�am com a chamada para ouvir a Palavra do Senhor. Cada um desses trechos A� composto por orA?culos de acusaA�A?o dos pecados de Israel ressaltando as suas consequA?ncias em virtude do julgamento de JavA�. No final de cada um desses orA?culos hA? a mudanA�a do tema da acusaA�A?o para a esperanA�a e restauraA�A?o.

A estrutura da primeira e da A?ltima seA�A?o A� semelhante em virtude do uso de uma linguagem jurA�dica, que coloca JavA� como relator dos pecados do povo (1:2) passando depois para o papel de promotor de acusaA�A?o (6:2). A seA�A?o do meio (3:1 a�� 5:15) A� diferente eu um pouco mais complexa que as demais por nA?o usar nenhuma terminologia jurA�dica ou legal.

A seA�A?o do meio A� composta por palavras duras remetendo A� grande injustiA�a social A�s quais os lA�deres de Israel submetiam o povo (3:2-11). AlA�m dessas acusaA�A�es a seA�A?o intermediA?ria altera o seu teor para um elemento de restauraA�A?o, apontando para o futuro, que se inicia com a expressA?o a�?naquele diaa�? (4:1-6). A seA�A?o se altera novamente, dessa vez para o apontamento da crise atual, quando o profeta diz a�?agoraa�? (4:9; 5:1). Como em todos os orA?culos profA�ticos, a crise A� solucionada pela intervenA�A?o divina (5:2-9), resultando na restauraA�A?o e purificaA�A?o de Israel (5:10-15).

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PropA?sito e conteA?do

Miqueias aborda os seguintes temas em seu livro:

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  • AcusaA�A�es contra injustiA�a

  • Rituais que objetivam manipular a divindade nA?o diminuem a ira de Deus

  • Messias davA�dico

  • Livramento da AssA�ria

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Miqueias deixou seu objetivo muito claro quando disse que, por meio do EspA�rito do Senhor, acusaria todas as transgressA�es e pecados de Israel (3:8). ImbuA�do de coragem pronunciou seus orA?culos de acusaA�A?o, principalmente contra a classe rica e abastada de JudA?, apontando toda a injustiA�a sobre a qual sua riqueza descansava. O resultado seria o cativeiro e a destruiA�A?o. A referA?ncia aos do Reino do Norte Onri e Acabe (6:16) indicam que JudA? praticava as mesmas coisas que levaram A� destruiA�A?o de Israel poucos anos antes.

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Miqueias divide sua crA�tica e acusaA�A?o em cinco julgamentos:

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  1. Julgamento religioso com uso de linguagem cA?smica que lembra muito a apocalA�ptica (1:3-7; 3:12).

  2. Julgamento social e cativeiro (1:10-16)

  3. Julgamento de pessoas especA�ficas (2:3-5)

  4. Julgamento contra os falsos profetas (3:6-7)

  5. Julgamento econA?mico (6:13-16)

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Ao mesclar entre os orA?culos de julgamento promessas de esperanA�a e restauraA�A?o, JavA� dizia ao povo da AlianA�a que o castigo jamais seria a A?ltima palavra dele dirigida a seu povo escolhido.

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O salvador

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Miqueias em seu texto aborda em dois momentos um salvador para seu povo. Este tema estA? presente nos trechos 2:13 e 5:2-9.

Em 2:13 o rei que vai adiante do povo A� comparado ao Senhor, e isso levou alguns intA�rpretes a associar este rei ao prA?prio Deus. Outros dizem que este rei estA? sob o comando de JavA�. O versA�culo 2:12 trata sobre os sobreviventes (remanescentes) salvos em um aprisco, enquanto o capA�tulo 1 descreve a destruiA�A?o de JerusalA�m; portanto, este trecho de 2:12-13 pode indicar os sobreviventes do massacre assA�rio sobre JudA? em 701 a.C. e o livramento de JavA� em resposta ao pedido do rei Ezequias.

No trecho de 5:2-9 o salvador nA?o A� um rei, mas um governante. A expressA?o Messias nA?o foi usada por nenhum profeta do perA�odo prA�-exA�lico, uma vez que este conceito floresceu durante o exA�lio babilA?nico. O seu aparecimento em BelA�m sugere uma quebra de continuidade real, jA? que os herdeiros do trono de JudA? nasciam em JerusalA�m. Este governante traria a liberdade aos sobreviventes ou remanescentes.

EstA? claro que Miqueias tratou sobre o rei davA�dico ideal, mas nA?o hA? qualquer evidA?ncia no texto de que ele tenha tido um vislumbre do que costumamos considerar como messiA?nico no sentido estrito do termo, afinal ele estava muito mais preocupado com a questA?o da quebra da AlianA�a que se traduziu na injustiA�a social e apostasia religiosa.

Os autores no NT, guiados pelo EspA�rito Santo, entenderam que este governante, nascido em BelA�m, foi Jesus, o novo Davi. Isso nos dA? seguranA�a em crer que Deus A� o autor da salvaA�A?o que foi preparada durante toda a histA?ria.

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A exigA?ncia do Senhor

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Frequentemente o verso 6:8 de Miqueias A� tido como a exigA?ncia mais abrangente daquilo que Deus requer do seu povo. Mas, para uma interpretaA�A?o mais apurada, devemos analisar o contexto no qual estas palavras foram escritas.

O verso 8 foi escrito para contrastar com as prA?ticas ritualistas dos versos 6 e 7, que se propunham a manipular a Deus com o objetivo de aplacar a sua ira. Os israelitas estavam sempre inclinados a apaziguar a ira do Senhor por meio de rituais religiosos, mas nA?o se propunham a abandonar suas prA?ticas injustas e idA?latras.

Miqueias entA?o lhes explica que a questA?o nA?o era evitar a ira de Deus por meio de sacrifA�cios ou ofertas, mas sim corrigir o relacionamento do povo da alianA�a com JavA�. Portanto, o verso 6:8 nA?o se trata de uma exigA?ncia em termos da responsabilidade do povo perante Deus, mas sim o que Israel deveria fazer para renovar e restaurar o relacionamento da AlianA�a. Em outros termos, a obediA?ncia era muito mais importante do que o sacrifA�cio (1 Sm. 15:22).

Uma exigA?ncia mais completa sobre a responsabilidade humana diante do Senhor estA? expressa em Dt. 10:12-13: a�?E agora, A? Israel, que A� que o Senhor seu Deus pede de vocA?, senA?o que tema o Senhor, o seu Deus, que ande em todos os seus caminhos, que o ame e que sirva ao Senhor, ao seu Deus, de todo o seu coraA�A?o e de toda a sua alma,

e que obedeA�a aos mandamentos e aos decretos do Senhor, que hoje lhe dou para o seu prA?prio bem?a�?.

 

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