Educação Religiosa


31 – Jonas


IntroduA�A?o ao Livro de Jonas

O livro de Jonas difere dos demais profetas em razA?o do seu conteA?do narrativo em vez de oracular. Desta forma podemos dizer que a mensagem do profeta nA?o A� um conjunto de palavras dirigidas A�s naA�A�es, antes trata-se da prA?pria experiA?ncia de Jonas. AlA�m disso, o profeta nA?o recebe a palavra de Deus em forma de sonho ou visA?o, formas tA�picas do recebimento oracular.

O profeta Jonas tambA�m A� mencionado em 2 Reis 14:25. Nesta A�poca JeroboA?o II reinava em Israel no sA�culo VIII a.C. Isto o coloca no momento da recuperaA�A?o econA?mica e polA�tica do Reino do Norte. Portanto Jonas A� contemporA?neo de AmA?s e Oseias.

A atividade profA�tica de Jonas nA?o ficou restrita apenas a NA�nive, pois, ainda de acordo com o texto de 2 Reis 14:25, ele tambA�m havia falado sobre a recuperaA�A?o polA�tico-econA?mica de Israel; portanto, uma profecia de cunho nacionalista. Esta recuperaA�A?o foi possA�vel em virtude do declA�nio da dominaA�A?o AssA�ria (NA�nive era a capital assA�ria), que deu espaA�o para JeroboA?o II repatriar os territA?rios que pertenceram a Israel nos tempos de Davi e SalomA?o. Posteriormente, no final do sA�culo VIII a.C., a AssA�ria retomaria seu poderio militar e levaria o Reino do Norte ao fim.

Em relaA�A?o A� autoria, o livro de Jonas A� contestado em razA?o dos seguintes fatores:

  • o autor nA?o A� apontado no livro

  • a redaA�A?o em terceira pessoa

O livro A� tambA�m contestado em relaA�A?o A� sua veracidade. Os relatos do grande peixe e o crescimento acelerado da planta que abrigou Jonas levam muitos eruditos a considerA?-lo uma alegoria ou parA?bola, isto A�, os fatos histA?ricos nA?o existiram de fato, mas foram redigidos a fim de ensinarem uma moral. Entretanto, esta conclusA?o nA?o se sustenta em virtude principalmente da citaA�A?o do profeta por Jesus em Mateus 12:40-41; portanto, se a historicidade da narrativa de Jonas for lendA?ria, a ressurreiA�A?o de Jesus tambA�m o A�.

Estrutura de Jonas

O livro de Jonas pode ser dividido literariamente da seguinte forma:

  • O chamado de Deus e a fuga de Jonas – 1:1-16

  • A graA�a de Deus aplicada a Jonas – 1:17 – 2:10

  • O chamado de Deus e a pregaA�A?o de Jonas – 3:1-9

  • A graA�a de Deus aplicada A� cidade de NA�nive – 3:10 – 4:5

  • O direito de Deus A� compaixA?o – 4:6-11

A histA?ria contida em Jonas estA? dividida em duas partes em forma de paralelos, isto A�, os capA�tulos 1 e 2 formam paralelos com os capA�tulos 3 e 4, conforme abaixo;

Chamado de Deus e resposta de Jonas 1:1-3 e 3:1-3
PagA?os cogitando a influA?ncia de JavA� 1:4-11 e 3:4-10
Jonas enfrenta Deus por causa de suas atitudes 1:12-17 e 4:1-9
Deus mostra e aplica sua misericA?rdia 2:1-9 e 4:10-12

A primeira parte da narrativa prepara o leitor para o desfecho da histA?ria na segunda parte do livro. Na primeira metade (capA�tulos 1 e 2) Deus demonstra sua misericA?rdia para com Jonas e os marinheiros. A graA�a de Deus revelada aos marinheiros deixa o leitor na expectativa com relaA�A?o A� possibilidade da graA�a para o povo de NA�nive. A reaA�A?o dos marinheiros leva o leitor a imaginar qual seria o comportamento dos ninivitas diante da graA�a revelada de JavA�.

Jonas assume uma perspectiva negativa nessa primeira parte do livro, que leva o leitor a opor-se a ela na segunda metade. No capA�tulo 2, a oraA�A?o de Jonas introduz conceitos importantes sobre a graA�a de Deus que serA?o demonstrados na segunda metade da narrativa. Ao contrA?rio do senso comum, a oraA�A?o de Jonas nA?o A� um lamento, mas um agradecimento por Deus tA?-lo livrado da morte. Neste ponto Jonas demonstra sua indignidade diante da graA�a de Deus. Aqui temos um contraponto com a oraA�A?o paralela no capA�tulo 4, onde Jonas reclama com Deus sobre sua misericA?rdia demonstrada para com os ninivitas, a mesma que havia salvado sua vida da morte.

O capA�tulo 3 mostra que o arrependimento de NA�nive cessa a ira de Deus, tal qual a oraA�A?o dos marinheiros interrompeu a tempestade que os castigava.

No capA�tulo 4 Jonas nA?o aceita a misericA?rdia de Deus estendida aos ninivitas, pois considerava isso injusto, uma vez que eles mereciam a puniA�A?o de acordo com a justiA�a retributiva, cosmovisA?o na qual Jonas se fundamentava.

PropA?sito e conteA?do

Com relaA�A?o ao seu propA?sito e conteA?do, o livro de Jonas aborda os seguintes temas:

  • Deus tem a prerrogativa de realizar atos de bondade e misericA?rdia

  • A longanimidade de Deus oferece uma nova chance

  • Os pequenos acertos do homem produz o prazer de Deus

O livro de Jonas trata sobre o relacionamento de JavA� com a humanidade, e nA?o somente com o povo hebreu. Jonas evoca sobre si a antipatia do leitor por alguns motivos:

  • seus objetivos sA?o opostos aos de Deus

  • era um profeta nacionalista e previu a recuperaA�A?o polA�tico-econA?mica de um dos piores reis de Israel, JeroboA?o II. Ele teve um posicionamento contrA?rio a AmA?s, que apenas criticou seu governo.

  • fala com muita raiva dos pagA?os

O livro de Jonas procura mostrar que a situaA�A?o do profeta era idA?ntica a dos moradores de NA�nive, isto A�, carentes da misericA?rdia de Deus. Esta distinA�A?o A� importante para que nA?o confundamos a mensagem do livro comparando Jonas com Israel.

O livro compara a situaA�A?o de Jonas com NA�nive ao empregar o mesmo termo nos versA�culos 3:10 e 4:6. No primeiro, o termo hebraico rA?`A?h A� traduzido na NVI como “destruiu” e no segundo A� traduzido como “calor”. Tanto Jonas como NA�nive receberam a misericA?rdia divina ao livrA?-los do mal (rA?`A?h) que sofriam; Jonas o calor e NA�nive a destruiA�A?o iminente.

Contudo, em dado momento, a situaA�A?o de Jonas nA?o encontra mais paralelo com NA�nive quando Deus soberanamente destrA?i a planta que trazia alA�vio para Jonas ao permitir que um verme devorasse a planta. Aqui Deus trata Jonas da mesma maneira que ele queria que os ninivitas fossem tratados, e remove sua graA�a de Jonas.

Portanto a narrativa tem o objetivo de demonstrar que Deus tem o direito de ter compaixA?o de quem ele quiser. Embora o senso comum aponte a evangelizaA�A?o como ponto principal no livro de Jonas, o exame cuidadoso do livro nA?o apoia esta ideia, pois Jonas nA?o apresentou um convite de conversA?o A� fA� monoteA�sta em JavA�, mas sim um orA?culo de juA�zo.

A crenA�a que os ninivitas apresentaram no verso 3:5 A� com relaA�A?o A� realidade do juA�zo, isto A�, eles acreditaram na mensagem que Jonas levou acerca da destruiA�A?o da cidade. Assim, o ponto focal da narrativa nA?o A� a reaA�A?o dos ninivitas, pois eles estavam acostumados a praticar rituais para apaziguar a ira dos deuses. AlA�m disso, esse arrependimento de NA�nive nA?o deve ter sido profundo ou duradouro, pois ainda no final do sA�culo VIII eles foram o instrumento de JavA� para castigar Israel. A essA?ncia do livro estA? em demonstrar que Jonas, Israel e NA�nive eram alvos da misericA?rdia divina.

Esses acontecimentos narrados em Jonas aconteceram pouco tempo antes da profecia clA?ssica se tornar o padrA?o profA�tico na Palestina, e guardam muitas semelhanA�as com textos dos profetas posteriores. O nA?cleo da mensagem dos profetas clA?ssicos era a ira de Deus para com seu povo e o castigo seria a destruiA�A?o e o exA�lio iminentes, ou seja, Israel recebe o mesmo tratamento que NA�nive. Assim como Deus agira com NA�nive, retardando o justo juA�zo, ele agiu com Israel a cada passo que davam na direA�A?o certa conforme visto em 2 Reis 22, no reinado de Josias.

CompaixA?o

Como demonstrado a compaixA?o de Deus A� o foco principal do livro. Mesmo a menA�A?o de Jonas no livro de Reis foi uma antecipaA�A?o a este tema quando JavA� demonstra sua misericA?rdia imerecida ao permitir que um rei tA?o mal quanto JeroboA?o II prosperasse.

Ira

O juA�zo para NA�nive era decorrente da ira Deus, mesmo que Jonas tenha dito que ele era muito paciente (4:2). De acordo com Jonas Deus nA?o parecia irado suficiente com os ninivitas que mereciam sua ira. A ira A� equilibrada pela compaixA?o fundamentada na soberania divina.

TeodicA�ia

Teodiceia A� a tentativa de justificar os atos de Deus, e A� um assunto bastante abordado na Teologia do Antigo Testamento. Entretanto, o caminho mais comum da teodiceia A� com relaA�A?o ao sofrimento do justo, mas em Jonas este sentido se inverte. Na visA?o de Jonas os ninivitas mereciam o juA�zo, que nA?o foi aplicado na ocasiA?o, demonstrando o direito de Deus em irar-se tardiamente. PorA�m, sua justiA�a nA?o A� anulada em virtude da aplicaA�A?o contA�nua da misericA?rdia, sendo este um tema explorado pela teologia do Novo Testamento (cf. Romanos 3:25), pois Deus nA?o estA? condicionado a ofertar misericA?rdia indefinidamente; e no final Deus executarA? seu justo juA�zo (Jr. 13:14; Ez. 7:1-9)

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