Educação Religiosa


34 – Habacuque


IntroduA�A?o ao Livro de Habacuque

NA?o nos A� revelado nada no texto sobre o profeta Habacuque. Seu livro, ao invA�s de guardar seus orA?culos, serve como um diA?rio de suas crises teolA?gicas e existenciais. Seu livro A� distinto dos demais escritos profA�ticos por assumir um tom mais filosA?fico e de diA?logo com Deus. O tema deste diA?logo filosA?fico se concentra em torno da justiA�a divina.

O vA?cuo de informaA�A�es a respeito de Habacuque gerou uma grande gama de especulaA�A�es sobre a data de seus escritos e a prA?pria pessoa do profeta. O consenso geral A� que Habacuque tenha pertencido A� A�poca do rei Jeoaquim (609 a�� 598 a.C.). Em virtude disso, seus questionamentos teolA?gicos podem ser datados entre a ascensA?o de Jeoaquim ao trono de JudA? e a Batalha de CarquA?mis em 605 a.C.

 

Este perA�odo A� escolhido em razA?o de:

 

  • O caos A�tico e social que o texto de 1:2-4 apresenta combina com a decadA?ncia moral com os dias de reinado de Jeoaquim, conforme Jeremias denunciou.

  • A proximidade da realizaA�A?o dos eventos descritos em 1:6-11, conforme a expressA?o a�?nos dias de vocA?sa�? no verso 5. JavA� havia prometido a Josias que seu reinado nA?o terminara com a invasA?o e cativeiro (2 Rs. 22:18-20). Talvez os orA?culos de Habacuque se refiram aos A?ltimos 20 anos de independA?ncia de JudA?.

  • A ascensA?o da BabilA?nia como superpotA?ncia mundial no sA�culo VII a.C. acontece no perA�odo previsto em Habacuque, embora isso nA?o sirva como prova irrefutA?vel.

 

O verso 5 ainda nos ajuda a definir esse perA�odo, pois, tendo o Egito como aliado, JudA? dificilmente acreditaria que seriam vencidos pela BabilA?nia; o que de fato aconteceu quando Nabucodonosor derrotou o faraA? Neco em CarquA?mis (Jeremias 46:2,6,10; II Reis 24:7).

 

Alguns argumentam que as denA?ncias de injustiA�a de Habacuque nA?o se encaixam no perA�odo de governo do rei Josias (pai de Jeoaquim), uma vez que este recebe uma avaliaA�A?o tA?o boa. Entretanto, a reforma que o rei Josias fez, abrangeu apenas a parte litA?rgica da sociedade hebraica, sem atingir a parte social. Por isso a reclamaA�A?o de Habacuque acerca da injustiA�a nA?o se choca com os relatos do governo de Josias, embora tenha tido uma boa apreciaA�A?o. AlA�m disso, os efeitos negativos dos cinquenta anos do reinado catastrA?fico de ManassA�s (avA? de Josias) demorariam a desaparecer.

 

Habacuque baseou seus questionamentos em sua experiA?ncia com os eventos histA?ricos de seu tempo. Tal qual Jeremias (Jr. 22:13-23), Habacuque tambA�m se indignou com a situaA�A?o de injustiA�a, violA?ncia e opressA?o gritantes em JudA?; por isso reclama para Deus pedindo o castigo para os maus e a defesa dos justos. A crise teolA?gica de Habacuque comeA�a justamente com o atraso do julgamento dos lA�deres injustos.

 

Habacuque fica espantado e confuso diante da revelaA�A?o de Deus sobre a vinda dos babilA?nios como instrumento de Deus para o julgamento de JudA?, ao invA�s de um discurso sobre a salvaA�A?o ou livramento. O questionamento de Habacuque foi: poderia um Deus justo e bom usar meios perversos para executar sua justiA�a? (Hc. 1:12-17).

 

Estrutura de Habacuque

 

O livro de Habacuque pode ser dividido em diA?logos da seguinte maneira:

 

  • DiA?logo 1 a�� Habacuque questiona a justiA�a divina a�� 1:1-11

  • DiA?logo 2 a�� Habacuque questiona a coerA?ncia divina A�- 1:12 a�� 2:20

  • DiA?logo 3 a�� Habacuque louva a Deus por suas intervenA�A�es na histA?ria a�� 3:1-19

 

O diA?logo 1 comeA�a com a reclamaA�A?o de Habacuque a Deus sobre as injustiA�as que estavam A� sua volta, e porque os perversos nA?o eram julgados. JudA? ainda nA?o havia sido julgada por sua impiedade, e o primeiro alvo da queixa de Habacuque nA?o A� o povo, mas Deus (1:2-4). Deus entA?o responde a Habacuque (1:5-11) dizendo que essa situaA�A?o de opressA?o e injustiA�a nA?o duraria muito tempo mais, pois, ainda nessa geraA�A?o, os A�mpios seriam castigados. Deus usaria a naA�A?o da BabilA?nia para aplicar o seu julgamento. AtA� este momento, as naA�A�es vizinhas eram alvo do castigo divino, e a surpresa de Habacuque reside no fato de Deus escolher uma das naA�A�es mais agressivas daquele tempo para executar seu julgamento contra JudA?. Em vez de anunciar o livramento e restauraA�A?o em forma de promessa, o livramento e a salvaA�A?o viriam por meio do ataque de uma naA�A?o inimiga. Aqui, Deus nA?o responde apenas ao profeta, mas a toda naA�A?o, conforme percebemos pelo emprego do plural.

 

O segundo diA?logo propA�e um problema lA?gico. AlA�m de nA?o resolver o problema da injustiA�a, as pessoas corretas seriam prejudicadas; e, ademais, um inimigo impiedoso seria vitorioso a despeito de ser castigado. Habacuque afirma a Deus que essa medida de julgamento nA?o se ajusta com o carA?ter santo de Deus (1:12). Habacuque, embora soubesse das injustiA�as de JudA?, achava que a perversidade dos babilA?nios era muito pior. Por isso se horroriza ao imaginar a destruiA�A?o que os babilA?nios fariam em JudA?. Habacuque os compara com um pescador inescrupuloso que pesca pelo simples prazer de matar os peixes. Outro problema de lA?gica levantado por Habacuque A� em relaA�A?o A� soberania de Deus, que nA?o interviria para proteger o seu povo. Habacuque nA?o faz essa declaraA�A?o de maneira leviana ou desrespeitosa, entretanto buscava sinceramente uma resposta. Deus responde que o julgamento se cumpriria e nA?o procura defender sua justiA�a, mas afirma que o justo seria preservado (2:4). No NT Paulo usa este versA�culo para ressaltar a fA� do cristA?o, contudo, no contexto de Habacuque, indica a integridade na vida do servo de Deus, mesmo que nA?o consiga entender todo o processo. Deus prossegue em sua resposta apontando para a sua justiA�a, na qual o perverso A� castigado.

 

Habacuque abre o terceiro diA?logo expondo sua confianA�a em Deus, que a seu tempo castigaria o A�mpio; e apelou A� sua misericA?rdia na execuA�A?o do julgamento de JudA?. A consciA?ncia do verdadeiro relacionamento com Deus produziu o salmo de louvor registrado em 3:3-15, que descreve os feitos poderosos de Deus, nA?o somente para julgar, mas tambA�m para livrar (3:13). Habacuque recorre A� histA?ria de Israel comprovando sua obra redentora contra os inimigos do seu povo, fazendo um contraponto literA?rio com a ameaA�a babilA?nica no capA�tulo 1. O livro termina com a confianA�a de Habacuque na justiA�a de Deus. Mesmo com tantas desgraA�as que viriam acontecer, a fA� inabalA?vel de Habacuque permitiu-lhe ter a alegria que nA?o dependia mais das circunstA?ncias externas, mas do seu relacionamento verdadeiro com Deus.

 

PropA?sito e conteA?do

Habacuque trata sobre os seguintes temas principais:

 

  • A justiA�a de Deus ao lidar com as naA�A�es

  • A confianA�a em Deus a despeito das circunstA?ncias histA?ricas

  • O castigo de JudA? por meio dos babilA?nios e o castigo da BabilA?nia

 

O impA�rio AssA�rio estava no domA�nio do Antigo Oriente MA�dio hA? mais de um sA�culo. Entretanto, comeA�ou a entrar em declA�nio, e JudA? ainda nA?o havia sido punida pela quebra de AlianA�a, conforme anA?ncio dos profetas. Esta foi a razA?o da queixa inicial de Habacuque. A resposta de Deus revelou que os babilA?nios seriam o instrumento do julgamento de Deus.

 

O problema, para Habacuque, estava na teodiceia, isto A�, a justificaA�A?o dos atos de Deus quando a humanidade sofre. Em nenhum momento Habacuque questiona o merecimento da puniA�A?o de JudA?; mas, se preocupa com a vitA?ria dos babilA?nios em detrimento da ruA�na de JudA?. De certa forma pareceria que Deus estava aprovando os mA�todos genocidas da BabilA?nia. Como Deus, sendo justo, poderia permitir que uma naA�A?o perversa prosperasse?

 

O problema em Habacuque gira basicamente em torno do mesmo tema de JA?. No final do livro que narra seu drama, Deus aparece para mostrar que a finitude humana nA?o consegue dar respostas para todas as questA�es da vida; mas, Deus estA? presente em todos os momentos de dA?vidas e afliA�A?o pelos quais a humanidade passa. Em Habacuque, a teofania do capA�tulo trA?s tem a mesma funA�A?o. Muito embora Habacuque nA?o tivesse todas as respostas, a presenA�a de Deus era suficiente para dar toda a confianA�a que o profeta precisava para aquele momento.

 

Contudo, em Habacuque, Deus revelou algumas respostas que serviram como eixo do livro. A primeira delas estA? em 2:4-5 e trata sobre a responsabilidade individual que nA?o A� descartada mesmo em caso de tempos sombrios. Nessas circunstA?ncias a confianA�a em Deus torna-se mais difA�cil e a fidelidade do justo adquire destaque.

 

A segunda resposta, encontrada em 2:6-20, Deus anuncia que castigaria os babilA?nios em virtude dos seus crimes contra a humanidade, mas ainda nA?o havia chegado o momento. O fato dos babilA?nios serem o instrumento de Deus para o julgamento de JudA? nA?o significava que Deus aprovasse seus mA�todos. A certeza que Habacuque teve A� que eles tambA�m seriam julgados, tanto por seus crimes de guerra, quanto pela impotA?ncia de seus deuses. O Habacuque entendeu naquele momento A� que Deus governava o mundo e sua histA?ria a partir do templo; por isso, em virtude de sua soberania, todos deveriam calar-se diante dele (2:20).

 

O agir de Deus com as naA�A�es

 

No Antigo Testamento, as aA�A�es boas e mA?s de todas as naA�A�es sA?o pesadas. Quando o lado com as aA�A�es mA?s atinge um determinado limite o julgamento de Deus A� acionado. Cada geraA�A?o contribui com as aA�A�es boas e mA?s contrapostas umas A�s outras e retardam ou adiantam a execuA�A?o do juA�zo de Deus. O arrependimento era uma forma de se retardar o julgamento, como se as aA�A�es boas fossem somadas diminuindo o limite das aA�A�es mA?s (Jn. 3:10; 2 Rs. 22:19-20). A naA�A?o voltaria a enfrentar o risco de julgamento somente se voltasse a realizar aA�A�es mA?s. O texto de Jeremias 18:7-10 exemplifica esse tratamento que Deus dava A�s naA�A�es.

 

AlA�m desse aspecto do “peso” das boas e mA?s aA�A�es a misericA?rdia de Deus tem um efeito mais prolongado do que seu castigo, de acordo com DeuteronA?mio 5:9-10. Outra caracterA�stica de Deus em seu agir com as naA�A�es A� que sua misericA?rdia, aplicada sobre o lado das boas aA�A�es retarda o julgamento pelas mA?s aA�A�es, entretanto o peso das mA?s aA�A�es nA?o A� eliminado atA� que o castigo seja aplicado. O texto de ASxodo 32:34 mostra como este princA�pio de aplica. Deus nA?o puniu o povo naquele momento, por terem feito o bezerro de ouro em virtude de sua misericA?rdia. Contudo, chegaria a hora de serem punidos tambA�m por isso futuramente.

 

Ainda mais um princA�pio pode ser entendido. Os povos que contavam com a revelaA�A?o de Deus, tal qual os hebreus, eram punidos com mais severidade em detrimento daqueles que nA?o conheciam acerca de sua revelaA�A?o indicando que a tolerA?ncia de Deus com os pagA?os A� maior. O Novo Testamento aplica esse princA�pio em Lc. 12:48.

 

Esse princA�pio pode ser aplicado a JudA?. Embora os babilA?nios fossem realmente muito mais cruA�is os israelitas A�deveriam ter sido mais obedientes em virtude da revelaA�A?o da Lei e do aviso constante dos profetas sobre sua apostasia. Agora o momento da execuA�A?o do castigo havia chegado.

 

Esse esquema sA? A� atribuA�do A�s naA�A�es, nA?o a indivA�duos e nA?o se trata de salvaA�A?o. Por isso nA?o hA? a preocupaA�A?o de uma salvaA�A?o baseada em boas obras.

 

A vida de fidelidade

 

Deus mostrara a Habacuque que, embora o castigo fosse severo, isso nA?o seria o fim de JudA?, mas haveria um remanescente preservado. O fundamento da preservaA�A?o seria a fidelidade. No Novo Testamento, o apA?stolo Paulo usa o conceito de Habacuque 2:4 para fundamentar a doutrina da justificaA�A?o pela fA�. Paulo cria uma ponte entre ‘emA�nA?, que significa fidelidade e pistis, fA�.

 

Em Habacuque a fidelidade, ou o posicionamento correto diante das circunstA?ncias adversas foi percebido por Paulo como o elemento universal de salvaA�A?o, expresso mais claramente por Paulo em Romanos 8.

 

2 ideias sobre “34 – Habacuque

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>