Educação Religiosa


25 a�� Ezequiel


IntroduA�A?o ao Livro de Ezequiel

 

Ezequiel era sacerdote e pertencia A� famA�lia sacerdotal da linhagem de Zadoque, e foi um dos que foram levados prisioneiros na primeira deportaA�A?o babilA?nica em 597 a.C. Seu nome significa “Deus fortalece”, aliA?s, bem apropriado para o momento que os hebreus estavam vivendo. Sua profecia, por ser um subproduto da primeira parte do cativeiro, se diferencia do profetismo clA?ssico prA�-exA�lio.

O pensamento corrente em Israel A� que JavA� estava restrito A� Palestina e ao Templo de JerusalA�m. No exA�lio esta ideia foi posta em xeque, pois os judeus aprenderam que JavA� poderia ser adorado fora dos limites da Terra Prometida.

Ele era casado e seu casamento corria bem, atA� que JavA� anunciou a morte de sua esposa que serviria como um sinal do sofrimento que os hebreus enfrentariam.

Seu livro sempre fez parte do cA?non hebraico, mas, em virtude das diferenA�as em relaA�A?o A�s cerimA?nias do templo e das leis mosaicas (Nm. 28:11 e Ezequiel 46:6), eruditos judeus, posteriormente, chegaram a questionar sua canonicidade atA� que os rabinos restringiram seu uso quando as divergA?ncias fossem solucionadas na “vinda de Elias” (Ml. 4:5). O capA�tulo 1 foi proibido nas sinagogas e a leitura privada sA? era permitida A�queles que tivessem mais de trinta anos.

De acordo com a anA?lise literA?ria do livro de Ezequiel podemos afirmar que ele mesmo escreveu suas profecias, em virtude do uso constante dos pronomes “eu”, “me” e “meu”. O estilo e uniformidade de sua escrita e linguagem tambA�m contribuem para corroborar a tese de Ezequiel como autor A?nico da obra que leva seu nome.

A data da produA�A?o do livro de Ezequiel A� determinada principalmente em razA?o da evidA?ncia interna de treze profecias datadasA� a partir do dia, mA?s e ano do exA�lio do rei Joaquim. Seu chamado A� do ano de 593 a.C., e sua A?ltima profecia, contra o Egito, de 571 a.C. Uma vez que Ezequiel nada fala sobre o libertaA�A?o de Joaquim em 562 a.C. A� possA�vel supor que o registro das suas atividades profA�ticas tenha ocorrido entre 571 e 562 a.C.

Quanto ao local onde deu-se suas atividades A� questA?o de intenso debate acadA?mico, pois Ezequiel A� muito preciso quando cita a localizaA�A?o do templo em sua visA?o nos capA�tulos 8 a 11. EvidA?ncias dentro do prA?prio texto apontam para a BabilA?nia, entretanto, nA?o hA? como explicar seu registro dos acontecimentos em JerusalA�m estando na BabilA?nia, exceto pelo verso 8:3, quando JavA� o arrebatou atA� lA?.

A profecia de Ezequiel foi uma consequA?ncia dos atos polA�ticos e religiosos do rei ManassA�s quando decretou o baalismo como religiA?o oficial (2 Rs. 21:1-9). Este decreto estabeleceu, inevitavelmente, o fim da naA�A?o de JudA? (2 Rs. 21:9-15; 24:3-4).

Josias, neto de ManassA�s, foi o A?ltimo a tentar restabelecer o padrA?o A�tico, moral e religioso de JudA?, quando o livro da Lei (provavelmente DeuteronA?mio) foi redescoberto (2 Rs. 22:3-13). Entretanto, com a morte de Josias em 609 a.C. (2 Rs. 23:28-30; 2 Cr. 35:20-27), pelo faraA? egA�pcio Neco, sua tentativa nA?o teve continuidade.

ApA?s este episA?dio, todos os demais reis de JudA? foram marionetes dos reinos que procuravam dominar a regiA?o da Palestina, que nA?o obedeceram A�s regras da AlianA�a e nA?o se arrependeram de seus atos, mesmo com grande volume de mensagens profA�ticas. O cronista vA? nesta situaA�A?o um caminho sem retorno (2 Cr. 36:15-16).

O faraA? Neco deixou os filhos de Josias, Jeoacaz e Eliaquim, como vassalos do Egito, porA�m Jeoacaz foi destituA�do por insubordinaA�A?o (2 Rs. 23: 31-35). EntA?o Eliaquim, tambA�m chamado de Jeoaquim, governou JerusalA�m por onze anos (2 Rs. 23:34 – 24:7), cujo governo Jeremias avaliou como corrupto, idA?latra, com injustiA�as sociais, assassinatos, roubos, extorsA?o e abandono da AlianA�a com JavA� (Jr. 22:1-17).

Em 605 a.C. na batalha de CarquA?mis, o Egito fugiu diante da BabilA?nia (2 Rs. 24:7) e JudA? teve que pagar tributo aA� Nabucodonosor. PorA�m Jeoaquim rebelou-se contra a BabilA?nia e o resultado foi o cerco de JerusalA�m em 598-597 a.C. quando Jeoaquim morreu. Joaquim, seu filho, governou em seu lugar por apenas trA?s meses atA� que os babilA?nios invadiram e destruiriam a cidade (2 Rs. 24:1-17).

A partir daA� a famA�lia real e outras 10 mil pessoas da elite judaica foram levadas para a BabilA?nia, e, entre elas estava Ezequiel, que aproveitou o exA�lio de Joaquim para datar muitas de suas profecias aos hebreus deportados (Ez. 1:1-3; 8:1).

Estrutura de Ezequiel

O livro de Ezequiel pode ser dividido em trA?s partes, da seguinte forma:

  • Contra JerusalA�m
    • O chamado de Ezequiel – 1 a 3
    • SA�mbolos e orA?culos I – 4 a 7
    • VisA?o de JerusalA�m – 8 a 11
    • SA�mbolos e orA?culos II – 12 a 15
    • AdultA�rio – 16
    • ParA?bola – 17
    • Responsabilidade pessoal – 18
    • O lamento da leoa – 19
    • RebeliA?o – 20 a 22
    • As duas prostitutas – 23
    • A panela – 24
  • Contra as naA�A�es – 25 a 32
  • A restauraA�A?o de JerusalA�m
    • SA�mbolos e orA?culos – 33 a 35
    • Os montes de Israel sA?o confortados – 36
    • Ossos secos – 37
    • Contra Gogue e Magogue – 38 e 39
    • A restauraA�A?o do Templo – 40 a 43
    • CerimA?nias e rituais do Templo – 44 a 46
    • As fronteiras e a divisA?o de Israel – 47 e 48

Treze orA?culos de Ezequiel sA?o datados, e tudo indica que foram transmitidos oralmente (3:10-11; 14:4; 20:27; 24:1-3; 43:10) aos habitantes hebreus da BabilA?nia e registrados posteriormente. Uma evidA?ncia pode ser a falta de ordem cronolA?gica em alguns orA?culos, que pode indicar que o prA?prio Ezequiel tenha compilado este livro, pois um organizador distinto teria provavelmente se preocupado com a organizaA�A?o cronolA?gica.

Em termos de estilo Ezequiel incorpora discursos profA�ticos, poesia, e drama. Este A?ltimo quesito, inclusive, choca o povo exilado com uma linguagem por vezes grosseira quando utiliza o simbolismo da prostituiA�A?o nos capA�tulos 16 e 23. Outros recursos estilA�sticos usados por Ezequiel foram a alegoria e a teatralizaA�A?o simbA?lica, rejeitados pelos cativos (Ez. 20:49). As alegorias de Ezequiel tinham por objetivo representar de forma simples a queda de JerusalA�m, que aconteceria em breve, e o fim da naA�A?o de JudA?. As dramatizaA�A�es simbA?licas tinham o mesmo objetivo. Estas encenaA�A�es dramA?ticas reforA�avam as profecias de julgamento que JavA� prometera. Abaixo estA?o relacionadas estas encenaA�A�es:

Texto EncenaA�A?o Significado
4:1-3 Desenha a cidade de jerusalA�m em um tijolo A cidade serA? cercada
4:4-8 Deita-se sobre seu lado esquerdo por 390 dias e sobre o direito por 40 dias. Os anos de pecado e a puniA�A?o de JudA?
4:9-17 Come alimentado controlado e cozido em fezes Fome em JerusalA�m A� A�poca do cerco
5:1-12 Raspa a cabeA�a com uma espada e divide em trA?s partes iguais com destinos distintos O destino dos que ficaram em JerusalA�m A� A�poca do cerco
12:1-12 Cava um buraco na parede e passa levando bagagens do exA�lio O exA�lio serA? inevitA?vel
21:18-23 TraA�a duas estradas das quais uma leva a JerusalA�m. O rei decidiria por meio de sortes qual caminho seguir JavA� levaria o rei da BabilA?nia para JerusalA�m
25:15-24 Morte da sua esposa O povo escolhido morreria ou seria exilado

A estrutura das profecias de Ezequiel aponta para a soberania de JavA�. Os capA�tulos 1 a 24 refletem o julgamento que recaiu sobre JerusalA�m em 586 em virtude do descumprimento da AlianA�a por parte do povo hebreu. Estes orA?culos foram importantes para Israel em um perA�odo posterior pelos seguintes motivos:

  • Significado da desastrosa histA?ria de Israel
  • O povo deveria encarar com seriedade os julgamentos de JavA� e pautar sua vida pela obediA?ncia
  • Os orA?culos de julgamento sA?o uma introduA�A?o A� salvaA�A?o dita por Ezequiel em 33:1 a 34:24
  • A esperanA�a futura dos exilados estA? relacionada A� responsabilidade no presente.

Os capA�tulos 25 a 32 tratam sobre os orA?culos contra as naA�A�es indicando que JavA� A� soberano sobre o povo escolhido, mas tambA�m sobre todas as naA�A�es ao redor. Estes orA?culos dirigem-se principalmente a Tiro (26:1 – 28:19) e Egito (29 – 32). Mas as naA�A�es de Amon, Moabe, Edom, FilA�stia tambA�m seriam atingidas pelo julgamento de JavA� (25). Nesta seA�A?o hA? uma grande A?nfase na morte (26:19-21; 28:8; 31:14-18; 32:18-22) em contraste com a promessa de vida para Israel (33).

Os capA�tulos 33 a 48 ressaltam a renovaA�A?o da AlianA�a e a restauraA�A?o do governo davA�dico em Israel. A visA?o sobre o novo templo reafirma a soberania de JavA� em Israel por causa do seu Santo Nome (Ez. 36:22-32). A repetiA�A?o por 90 vezes da expressA?o “e vocA?s saberA?o que eu sou o Senhor” indica a certeza do juA�zo e a garantia que tudo que o Senhor prometera se cumpriria.

PropA?sito e conteA?do

O livro de Ezequiel abrange os seguintes temas:

  • A soberania de JavA� sobre Israel e as naA�A�es
  • O exA�lio como puniA�A?o pela idolatria
  • RelaA�A?o entre o indivA�duo e o grupo
  • Fidelidade de JavA� A�s suas promessas da AlianA�a
  • A responsabilidade individual e o julgamento divino
  • RestauraA�A?o de Israel sob o governo davA�dico

A�A�A�A�A�A�A�A�A�A�A� .

A estrutura na qual o livro de Ezequiel se apoia reflete as trA?s etapas de seu ministA�rio com os hebreus deportados para a BabilA?nia e se constitui em uma defesa do julgamento que JavA� executara em JudA?. Os capA�tulos 1 a 24 formam a base de sua mensagem. Estes capA�tulos tratam da queda de JerusalA�m, que estava por vir, onde Ezequiel, como atalaia do Senhor, tinha trA?s funA�A�es:

  • advertir uma geraA�A?o de pecadores que nA?o se arrependeram de que o julgamento estava muito prA?ximo – 2:3-8
  • destacar a responsabilidade de cada uma das geraA�A�es pelo pecado – 18:20
  • chamar ao arrependimento – 18:21-23, 32

Quando JudA? foi destruA�da em 586 a.C. Ezequiel abordou, entre os capA�tulos 25 a 32, o julgamento que JavA� daria A�s naA�A�es vizinhas por terem ficado contentes com a capitulaA�A?o de JerusalA�m. Por isso, o Senhor vingaria estas naA�A�es com sua ira (Ez. 25:1-11). Desta forma, Israel veria que JavA� era realmente justo e soberano sobre todas as naA�A�es (Ez. 28:24-26).

Nos capA�tulos 33 a 48, Ezequiel trata sobre a restauraA�A?o do seu povo sob uma alianA�a de paz por meio do pastor davA�dico (Ez. 34:20-31). JavA�, que A� fiel A� sua palavra e A� promessa da alianA�a, unificaria JudA? e Israel em uma sA? naA�A?o, representada pelo pedaA�o A?nico de madeira, que seria governada pelo Messias davA�dico (Ez. 37:15-28).

Filho do Homem

Apenas os livros de Daniel e Ezequiel trazem esta expressA?o. Entretanto, em Daniel temos apenas uma A?nica ocorrA?ncia (Dn. 8:7), para ressaltar a origem humana do mensageiro em comparaA�A?o com a divindade da mensagem. Em Ezequiel, contudo, esta expressA?o A� utilizada por cerca de noventa vezes, todas elas dirigindo-se de JavA� para Ezequiel no contexto de uma convocaA�A?o, e nA?o deve ser comparado com o tA�tulo que Jesus atribui a si mesmo no Novo Testamento.

Este tA�tulo destaca o papel de mero mortal de Ezequiel e seu ministA�rio para com os exilados na BabilA?nia e com os que ficaram em JerusalA�m.A� Seu estilo de vida exA?tico foram autorizados por JavA� como uma espA�cie de tratamento de choque para um povo de coraA�A?o e entendimento endurecidos pelo pecado. Seu comportamento nA?o convencional serviria para denunciar que um profeta esteve no meio deste povo.

As visA�es da carruagem cA?smica

As visA�es de Ezequiel ressaltaram a soberania de JavA� sobre o mundo e destacaram o conhecimento que o profeta tinha deste papel cA?smico que o Senhor desempenhava. A escatologia presente nestas visA�es indicavam para o povo que as promessas de Deus se cumpririam, pois os ossos secos tornariam A� vida.

O livro de Ezequiel inicia-se com uma dessas impressionantes visA�es, na qual Deus chega numa tempestade de fogo, sentado num trono sustentado por criaturas celestiais. Ao lado de cada um destes seres celestiais havia uma espA�cie de mecanismo feito por engrenagens que que moviam o trono em todas as direA�A�es. Esta visA?o mesclava elementos israelitas e algumas ideias do Antigo Oriente, agora conhecidas dos cativos.

Este aparelho celestial, uma espA�cie de carruagem cA?smica, A� citada novamente nos capA�tulos 8 a 11, que tratam sobre a destruiA�A?o de JerusalA�m. O dispositivo pA?ra no A?trio do templo (10:3) e o fogo aceso na base (1:13) A� usado para incendiar a cidade (10:2). Os seres celestiais sA?o chamados de querubinsA� (10:1-3) para reforA�ar a ideia dos querubins imA?veis da arca da alianA�a que ficava no Templo (9:3). O Senhor sobe no trono mA?vel e abandona JerusalA�m para sua destruiA�A?o (10:18-19; 11:22-23).

Uma explicaA�A?o detalhada sobre esta visA?o desafia nossa lA?gica, contudo, podemos afirmar que o objetivo primordial era mostrar que JavA� estava no controle absoluto do universo, pois seus olhos estavam voltados em todas as direA�A�es. A caracterA�stica motora de seu trono simbolizava sua presenA�a em todos os lugares. Portanto, o povo cativo poderia ter certeza de que o Senhor estava com eles na BabilA?nia.

A responsabilidade individual

Ezequiel apela para o conceito da responsabilidade individual (Cap. 18), pois a geraA�A?o do exA�lio culpou seus ancestrais pela calamidade que se abateu sobre JudA?, consequA?ncia do julgamento de JavA�. Ao reagir desta maneira, o povo hebreu concluiu que o julgamento do Senhor era injusto.

Na verdade esta era uma interpretaA�A?o incorreta de Ex. 20:5 e Ex. 34:7, que, embora trate sobre o castigo do pecado da terceira e quarta geraA�A�es, foi mal aplicadoA� pela justificaA�A?o de seu prA?prio pecado baseado no pecado das geraA�A�es anteriores. Ezequiel corrigiu esta distorA�A?o interpretativa lembrando os hebreus de que cada geraA�A?o, e individuo, A� tambA�m responsA?vel pelo prA?prio pecado (Dt. 24:16).

Ao abordar a responsabilidade individual Ezequiel rompeu com a teologia daquele tempo, sem contudo negar a solidariedade comunitA?ria hebraica. Afinal alguns Salmos, tal qual o 51, de Davi, afirma a individualidade da fA�. Portanto Ezequiel estava apenas reequilibrando os conceitos da responsabilidade coletiva e individual.

Literatura apocalA�ptica

Ezequiel contribuiu muito para o desenvolvimento do estilo literA?rio apocalA�ptico,A� constituindo uma nova etapa no processo profA�tico. Com suas visA�es (caps 1-3 e 8-11), sA�mbolos e A?xtases arrebatadores (8:1-4; 40:1-4) apontando para uma redenA�A?o escatolA?gica mediante o julgamento das naA�A�es por JavA� (caps. 25-32),A� Ezequiel esteve na vanguarda do cenA?rio literA?rio apocalA�ptico que ganharia destaque no pA?s-exA�lio.

Ezequiel tambA�m serve como ligaA�A?o entre o mini apocalipse de IsaA�as no prA�-exA�lio (caps. 24-27) e a apocalA�ptica de Daniel no exA�lio.

Leia o artigo original no blog do autor

2 ideias sobre “25 a�� Ezequiel

  1. Pr Alexandre. Os seus estudos são de grande importância para todos aqueles que querem se aprofundar mais nas Escrituras Sagradas. Deus continue te abençoando. Abraços.

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