Educação Religiosa


26 a�� Daniel


IntroduA�A?o ao Livro de Daniel

O livro de Daniel A� um dos mais conhecidos, ao menos sua parte histA?rica; entretanto A� dos mais complexos e de difA�cil interpretaA�A?o do Antigo Testamento. O livro fala sobre um jovem, levado A� forA�a para a cidade da BabilA?nia para integrar-se A� equipe diplomA?tica do ImpA�rio. Daniel teve muito A?xito e esteve no topo da pirA?mide organizacional da BabilA?nia, mesmo quando o ImpA�rio sofreu sua derrocada.

Tal qual Ezequiel, o livro de Daniel tambA�m faz parte da literatura apocalA�ptica, pois utiliza-se de visA�es misteriosas para transmitir a mensagem divina de que os reinos deste mundo nA?o estA?o fora do domA�nio de JavA�. AlA�m disso, Daniel nA?o pode ser enquadrado como um profeta clA?ssico, no sentido estrito do termo, pois ele nA?o condena o comportamento pecaminoso, nem recomenda a guarda da Lei da AlianA�a. Os eruditos hebreus entenderam dessa forma e na BA�blia hebraica nA?o o colocam entre os demais profetas, mas junto com os livros de Esdras-Neemias, CrA?nicas e os livros poA�ticos na seA�A?o chamada de “Escritos”.

Conforme as datas citadas no livro, Nabucodonosor levou os israelitas cativos em 605 a.C. O sonho interpretado por Daniel aconteceu em 603 a.C e ele continuou na elite do governo atA� o primeiro ano do rei Ciro (Dn. 1:21; 538 a.C.). Daniel ainda recebeu uma revelaA�A?o no terceiro ano do governo de Ciro (10:1; 536 a.C.), quando encerrou suas atividades nos impA�rios babilA?nico e persa.

Mas, apesar de Daniel narrar acontecimentos relativos ao sA�culo VI a.C. muitos eruditos afirmam que a obra foi composta no sA�culo II a.C. entre os anos de 168 a 164. A razA?o para esta conclusA?o A� a citaA�A?o dos reinos do norte e do sul que coincidem com a histA?ria do perA�odo grego no Oriente MA�dio que abrange os sA�culos IV a.C. ao II a.C.

Aqueles que apoiam esta data adiantada baseiam-se no fato de Daniel ser uma literatura apocalA�ptica. Este tipo de literatura, entre outras caracterA�sticas, eram:

  • pseudonA�miaA�- atribuir A� uma obra o nome de um personagem famoso do passado para transmitir credibilidade.
  • Vaticinium ex eventuA�- produzir uma obra literA?ria remetendo ao passado como se o autor vivesse antes deles.

Estas caracterA�sticas compA�em a literatura apocalA�ptica extrabA�blica do sA�culo II a.C. ao sA�culo II d.C. O livro de Daniel traz acontecimentos precisos do ano 168 a.C. e, por isso, alguns estudiosos afirmam se tratar de um autor contemporA?neo que escreveu estes registros pouco tempo depois.

Outra caracterA�stica apocalA�ptica presente em Daniel sA?o os fatos extraordinA?rios tais como o livramento da fornalha dos amigos de Daniel (cap. 3) e a mA?o que escreveu na parede no banquete de Belsazar (cap. 6). A literatura extrabA�blica deste perA�odo era rica neste tipo de narrativa.

Apesar de Daniel compartilhar algumas das caracterA�sticas da literatura apocalA�ptica extrabA�blica o livro de Daniel diferencia-se em certos aspectos e nA?o A� simples determinar todos os aspectos da literatura apocalA�ptica. Um problema em considerar Daniel uma produA�A?o do sA�culo II a.C. estA? no estabelecimento da data, pois o perA�odo entre 168 – 164 a.C. A� um perA�odo muito curto de tempo para produzir, copiar e distribuir um livro, sem mencionar o processo de canonizaA�A?o pela comunidade judaica.

Outros fatos que depA�em contra a data avanA�ada de Daniel:

  • O uso do aramaico no livro de Daniel sugere um perA�odo anterior ao sA�culo II a.C.
  • A inclusA?o de Daniel na Septuaginta (versA?o grega do Antigo Testamento)
  • A presenA�a de Daniel nos manuscritos do Mar Morto (II a.C.)

A BabilA?nia comeA�ou despontar no cenA?rio mundial como uma grande potA?ncia, aproveitando a decadA?ncia do ImpA�rio AssA�rio. O ano era 626 a.C. quando Nabopolassar, pai de Nabucodonosor, foi firmado como rei da BabilA?nia. O ImpA�rio AssA�rio ruiu definitivamente, depois de 150 anos, em 605 a.C. na batalha de CarquA?mis.

ApA?s a morte de Nabopolassar, seu filho, Nabucodonosor, assumiu o reino da BabilA?nia e tomou os territA?rios que a AssA�ria nA?o havia conquistado, incluindo o Reino do Sul, JudA?. Neste perA�odo, os filhos de rei Josias se envolveram em muitas conspiraA�A�es contra Nabucodonosor e o resultado foi o processo da deportaA�A?o de parte da populaA�A?o de JudA? em trA?s etapas. Nesta ocasiA?o, Daniel jA? estava na corte babilA?nica, pois fora deportado na primeira etapa em 605 a.C.

O reinado de Nabucodonosor terminou em 562 a.C., entretanto seus sucessores nA?o foram tA?o competentes quanto ele e o ImpA�rio BabilA?nico chegou ao fim em 539 a.C. quando Ciro, o persa, tomou a BabilA?nia sendo recebido com um herA?i ao invA�s de conquistador. Ao assumir o governo da BabilA?nia, Ciro permitiu que os povos conquistados voltassem e reconstruA�ssem sua sociedade (Ed. 1:1-4). O povo de JudA? considerou isso como o cumprimento das profecias e o restabelecimento da AlianA�a. Aos judeus cabia apenas aguardar a restauraA�A?o do governo teocrA?tico com a capital em JerusalA�m, que de fato nunca aconteceu.

Estrutura de Daniel

O livro de Daniel pode ter o seguinte esboA�o:

  • Parte histA?rica
  • A preparaA�A?o babilA?nica de Daniel – 1
  • O sonho de Nabucodonosor – 2
  • A estA?tua de Nabucodonosor – 3
  • O orgulho de Nabucodonosor – 4
  • A queda da BabilA?nia – 5
  • O decreto de Dario e livramento de Daniel – 6
  • Parte apocalA�ptica
  • Os quatro animais e os quatro impA�rios – 7
  • O carneiro e o bode – 8
  • As setenta semanas e a explicaA�A?o de Gabriel – 9
  • As A?ltimos acontecimentos – 10 a 12

Cronologicamente podemos dividir o livro de Daniel da seguinte maneira:

  • CapA�tulos 1 a 6:
  • Do primeiro ano de Nabucodonosor (cap1) ao A?ltimo dia de Belsazar (Cap. 5), entrando no reino de Dario (Cap. 6)
  • CapA�tulos 7 a 10
  • Primeiro ano de Belsazar (Cap. 7) ao terceiro ano de Ciro (cap. 10)

Tomando-se por base a perseguiA�A?o dos persas aos judeus temos o seguinte resultado:

  • CapA�tulos 1 a 5 – perseguiA�A?o crescente da religiA?o judaica: ordem para adora a estA?tua de Nabucodonosor (Cap. 3); profanaA�A?o dos objetos do Templo (Cap. 5)
  • CapA�tulos 6 a 12 – Daniel lanA�ado na cova dos leA�es (Cap. 6); profanaA�A?o do Templo e do Altar (Caps. 8 a 12).

No capA�tulo 1 JavA� honra a demonstraA�A?o de fA� que Daniel e seus amigos tiveram. No capA�tulo 2 o conteA?do do sonho e a interpretaA�A?o dada por Daniel refletem a soberania de JavA� sobre todas as naA�A�es. Entretanto ainda nA?o havia chegado o tempo do domA�nio pleno do Senhor, de fato uma mensagem desanimadora para os cativos. Contudo a interpretaA�A?o principal era que todos os ImpA�rios mais poderosos ruiriam, e seriam superados pelo reino Eterno de JavA� que jamais serA? destruA�do (2:44). Esta mensagem de esperanA�a certamente sobrepunha o desA?nimo dos judeus.

O capA�tulo 3 deixa subentendido que a inspiraA�A?o para a estA?tua de Nabucodonosor tenha vindo do seu sonho e mais uma vez a fA� tem como resposta o livramento. Um destaque importante A� que o texto deixa claro que o poder e soberania de Deus nA?o serA?o ameaA�ados caso o livramento nA?o tivesse acontecido.

Os capA�tulos 4 e 5 mostram que JavA� detA�m o controle das naA�A�es muito alA�m de apenas possuir um roteiro prA�-fabricado, podendo interferir na histA?ria quando se faz necessA?rio.

O capA�tulo 6 narra os planos dos gentios para eliminar Daniel em virtude de suas prA?ticas religiosas. Neste episA?dio atA� mesmo o rei persa declara a soberania do Deus de Daniel (v. 16).

O capA�tulo 7 enfatiza a perversidade generalizada dos reinos, especialmente o quarto. Entretanto, apA?s o perA�odo de adversidade, o Reino de Deus serA? instaurado para sempre (v. 16-18, 27).

No capA�tulo 8 lemos sobre o orgulho do rei e seu programa de perseguiA�A?o em massa. O capA�tulo 9 indica que a restauraA�A?o total viria lentamente, o que nA?o queria dizer que javA� nA?o estivesse no controle. Outra revelaA�A?o feita era que, ao contrA?rio do que os cativos que retornaram do exA�lio esperavam, a situaA�A?o iria piorar ainda mais.

Os capA�tulos 10 a 12 tratam sobre o fim dos reinos das naA�A�es. Os santos nA?o sabem quando todas as essas coisas acontecerA?o, pois sua tarefa A� perseverar atA� que o tempo de Deus para as naA�A�es se cumpra.

PropA?sito e conteA?do

O livro de Daniel menciona os seguintes assuntos:

  • O exercA�cio da fA� em um mundo agressivo
  • JavA� estA? no controle da polA�tica internacional
  • O propA?sito de JavA� em livrar seu povo

O livro aborda do comeA�o ao fim a soberania de JavA� sobre as naA�A�es. Esta soberania se manifesta de forma espiritual e polA�tica. A vida de comunhA?o com JavA� de Daniel e seus amigos A� realizada em meio A� hostilidade cada vez mais crescente. Em meio A� arrogA?ncia, crueldade e orgulho dos reis das naA�A�es, JavA� os faz curvarem-se A� sua vontade e soberania.

As visA�es de Daniel destacam a soberania polA�tica de Deus sobre as naA�A�es para que os judeus exilados pudessem ter suas esperanA�as renovadas. A leitura dos profetas prA�-exA�licos durante este perA�odo levou os cativos a crerem que o Reino de Deus seria estabelecido plenamente apA?s o retorno do cativeiro de setenta anos.

O livro de Daniel corrige esta distorA�A?o hermenA?utica e afirma que apesar do retorno acontecer, isso nA?o deve ser confundido com o estabelecimento do Reino de Deus. Na verdade, haveria mais setenta semanas de anos atA� que isso acontecesse.

Enquanto a inauguraA�A?o do Reino de Deus nA?o acontecesse os judeus deveriam aprender a viver sob perseguiA�A?o e depender somente da soberania divina durante a queda e ascensA?o dos reinos das naA�A�es, pois o programa de Deus nA?o pode ser detido, entretanto eles deveriam se preparar para uma resposta a longo prazo.

Portanto, o livro de Daniel nA?o deve ser encarado como um calendA?rio que marca eventos do fim dos tempos, mas encararmos sua mensagem principal que A� a promessa de Deus, o soberano que governa a histA?ria do mundo, de estabelecer o seu Reino.

O reino de Deus

O livro de Daniel destaca o Reino de Deus como plano final para o mundo. Embora JavA� jA? domine em um Reino eterno (4:3,34,35), o capA�tulo 2 apresenta a ideia de um Reino indestrutA�vel (2:44). Este Reino foi dado ao Filho do Homem, que, apesar de nA?o haver maiores informaA�A�es no livro, podemos identificA?-lo como Jesus, pois este texto contA�m um forte teor messiA?nico, mesmo que os leitores originais nA?o tivessem uma clara noA�A?o disso. Filho do homem serA? inclusive o tA�tulo que Jesus adotarA? para si no Novo Testamento.

Como uma espA�cie de antA�tese, os Reinos humanos sA?o retratados como temporais e limitados. Daniel percorre os principais reinos do mundo conhecido:

  • BabilA?nia – Caps. 4 e 5
  • Medo-Persa e GrA�cia – Cap. 8
  • GrA�cia – Cap. 11

O modelo apresentado de quatro reinos nA?o A� detalhado, embora Nabucodonosor seja identificado com o primeiro Reino (2:38) e os outros dois reinos mencionados (Medo-persa e Grego) sejam deduzidos como dois dos trA?s restantes. Entretanto este mapeamento perde importA?ncia ao considerarmos que o propA?sito principal A� destacar a eternidade e proximidade do Reino de Deus com a temporalidade dos reinos humanos.

O orgulho e a rebeliA?o

O orgulho dos reis das naA�A�es A� um tema recorrente no livro de Daniel. Nabucodonosor com sua estA?tua de ouro e seu orgulho arquitetA?nico (cap. 3), bem como o orgulho demonstrado por Belsazar ao profanar os objetos do Templo (5:18-23) sA?o exemplos de como esta atitude desagradou a Deus. Outros exemplos de orgulho podem ser vistos no decreto de Dario, nos atos do quarto animal da visA?o de Daniel no capA�tulo 7, no pequeno chifre do capA�tulo 8, no prA�ncipe do capA�tulo 9 e no reino do sul no 11.

O livro descreve o orgulho como a causa da queda destes reis; e, em contrapartida, a razA?o da queda e julgamento de JudA? foi a rebeliA?o contra JavA�. Portanto, o orgulho das naA�A�es era comparA?vel com a rebeliA?o e desprezo de JudA? pelo cA?digo da AlianA�a (a Lei de MoisA�s).

Daniel alerta ao povo cativo que suas angA?stias nA?o terminarA?o apA?s a volta do exA�lio; e, embora os pecados das geraA�A�es anteriores tenha sido julgado, os judeus ainda nA?o haviam atingido a maturidade esperada por JavA�, por isso sua afliA�A?o e agonia continuariam. Entretanto, em meio A�s tribulaA�A�es o Senhor deu-lhes a esperanA�a da ressurreiA�A?o (12:2) e os encorajou a permanecerem firmes durante este perA�odo de purificaA�A?o e renovo (12:10-13).

Leia o artigo original no blog do autor

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