Educação Religiosa


29 – AmA?s


IntroduA�A?o ao Livro de AmA?s -A� O profeta da justiA�a social

A�

AmA?s A� o contemporA?neo mais velho de MiquA�ias e OsA�ias e foi o primeiro dos profetas escritores. Seu nome significa “aquele que leva cargas pesadas”. AmA?s era criador de gado e produtor de figos numa vila ao sul de JerusalA�m chamada Tecoa. AmA?s recusou-se a ser chamado de profeta evidenciando a sua ruptura com as instituiA�A�es formais de seu tempo: o palA?cio real e o templo (7:14-15).

Essa independA?ncia institucional permitiu a AmA?s proclamar a Palavra de Deus livremente sem nenhuma preocupaA�A?o com a opiniA?o pA?blica ou interesses escusos. Nada mais se sabe sobre AmA?s. Alguns eruditos presumem que, apA?s o pronunciamento de seus orA?culos, tenha voltado para Tecoa, editado e redigido suas palavras tal como as temos hoje. Outros ainda afirmam que discA�pulos que o tenham seguido registraram seus orA?culos.

Talvez o terremoto mencionado em 1:1 tenha despertado AmA?s a publicar seu texto uma vez que o verso 9:1 parece indicar um cumprimento parcial da profecia a Israel, isto A�, a revelaA�A?o do Senhor havia sido dada dois anos antes do terremoto citado e a publicaA�A?o dos seus orA?culos aconteceu em um momento posterior. Este terremoto provavelmente foi um acontecimento de grandes proporA�A�es, pois fora lembrado dois sA�culos depois como o “terremoto dos dias de Uzias” (Zc. 14:5).

O ministA�rio de AmA?s aconteceu entre os anos de 760 a 750 a.C. durante o reinado de JeroboA?o II no Reino do Norte (Israel) e de Uzias no Reino do Sul (JudA?). Este foi um perA�odo muito prA?spero para Israel e JudA? pois nA?o havia a ameaA�a da SA�ria, que havia sido vencida pela AssA�ria dA�cadas antes. Por sua vez a AssA�ria tambA�m passava por problemas internos em virtude dos conflitos com a SA�ria, e nA?o apresentava mais perigo.

O resultado deste ambiente de estabilidade polA�tica proporcionou condiA�A�es para que os reis JeroboA?o II (Israel) e Uzias (JudA?) expandissem novamente as fronteiras da PalestinaA� chegando nos mesmos limites dos reis Davi e SalomA?o (2 Rs. 14:25). Isso possibilitou a retomada do comA�rcio internacional e da agricultura proporcionando, desta forma, a estabilidade econA?mica(Am. 4:1-3).

Entretanto, a seguranA�a polA�tica e econA?mica favoreceu apenas os comerciantes e a corte, pois o povo sustentava toda essa estrutura por meio da injustiA�a social e escravidA?o. O resultado disso foi a misA�ria do povo (2 Rs. 14:26; Am. 2:6; 8:6).

Ironicamente, a religiosidade era volumosa (Am. 4:4-5; 5:21-23), porA�m tornou-se mecA?nica e distante da presenA�a real de JavA�. AmA?s, tal qual IsaA�as, enxergou alA�m da superficialidade econA?mica e social que beneficiava apenas alguns poucos em detrimento da pobreza de muitos (Is. 3:13-15). Da mesma forma, o profeta OsA�ias, 10 anos depois, condenaria de maneira enA�rgica estes mesmos pecados.

Para AmA?s, a prosperidade agrA�cola serviu apenas para comparar Israel com um cesto de frutas maduras, prontas para a execuA�A?o do julgamento divino (Am. 8:2-3).

 

Estrutura de AmA?s

A�

O livro do profeta AmA?s pode ser estruturado da seguinte maneira:

 

  • ApresentaA�A?o do tema – 1:1-2
  • Os sete orA?culos de julgamento contra as naA�A�es – 1:3 – 2:16

a��A�A�A�A� Damasco – 1:3-5

a��A�A�A�A� Gaza – 1:6-8

a��A�A�A�A� Tiro – 1:9-10

a��A�A�A�A� Edom – 1:11-12

a��A�A�A�A� Amon – 1:13-15

a��A�A�A�A� Moabe – 2:1-3

a��A�A�A�A� JudA? – 2:4-5

a��A�A�A�A� Israel – 2:6-16

  • OrA?culos de julgamento contra Israel – 3:1 – 6:14

a��A�A�A�A� AcusaA�A?o – 3:1; 4:1; 5:1

a��A�A�A�A� AmeaA�a – 3:11; 4:12; 5:16

a��A�A�A�A� O conceito errado do Dia do Senhor – 5;18-27

a��A�A�A�A� A falsa seguranA�a material – 6:1-14

  • As visA�es de julgamento de Israel – 7:1 – 9:10

a��A�A�A�A� Primeira visA?o: a praga de gafanhotos – 7:1-3

a��A�A�A�A� Segunda visA?o: o fogo devorador – 7:4-6

a��A�A�A�A� Terceira visA?o: o prumo de JavA� – 7:7-9

a��A�A�A�A� O desafio de Amazias a AmA?s – 7:10-17

a��A�A�A�A� Quarta visA?o: o cesto de frutas maduras – 8:1-3

a��A�A�A�A� InterlA?dio profA�tico: mais orA?culos de julgamento – 8:4-14

a��A�A�A�A� Quinta visA?o: O Senhor junto ao altar – 9:1-10

  • Promessas de restauraA�A?o – 9:11-15

a��A�A�A�A� RestauraA�A?o do reino de Davi – 9:11-12

a��A�A�A�A� RestauraA�A?o material – 9:13-15

 

Embora fosse um homem do campo, o profeta AmA?s possuA�a habilidade literA?ria. Podemos perceber isso pela uso que o profeta faz de ironias em sua retA?rica e pela fA?rmula x, x + 1 nos orA?culos contra as naA�A�es (Am. 1:3,6,9,11). Este padrA?o pode indicar que cada naA�A?o havia pecado mais do que o suficiente para a execuA�A?o do juA�zo divino, isto A�, a misericA?rdia do Senhor fora demonstrada e nA?o tratava-se de uma aA�A?o arbitrA?ria de JavA�. Todas as acusaA�A�es contra as naA�A�es, incluindo Israel (Am. 2:6), eram baseadas em crimes contra a humanidade. Apenas JudA? foi acusada de rejeitar a Lei e desobedecer os decretos da AlianA�a.

Outra caracterA�stica literA?ria de AmA?s sA?o seus orA?culos visionA?rios. O profeta realmente havia visto as palavras que deixou registradas. AlA�m disso sua mensagem era viva e vibrante, pois AmA?s falava daquilo com o qual estava acostumado.

Entretanto AmA?s tambA�m utilizou-se da literatura lA�rica (Am. 5:1-2) e de doxologias (glorificaA�A?o de Deus) (Am. 4:13; 5:8-9; 9:5-6) mostrando sua aptidA?o poA�tica e musical. Esses trechos podem ainda ser canA�A�es da A�poca.

FA?rmulas de juramento (O Senhor, o soberano, jurou – 4:2), de proclamaA�A?oA� (OuA�am – 4:1) e revelaA�A?o (o Senhor, o soberano, me mostrou – 7:1) sA?o frequentemente usadas e padronizadas.

O livro A� composto por quatro seA�A�es fundamentais:

 

  • Oito orA?culos contra as naA�A�es – 1:3 a 2:16
  • Cinco profecias – 3 a 6
  • Cinco visA�es profA�ticas – 7:1 a 9:10
  • RestauraA�A?o de Israel – 9:11-15

 

A dinA?mica do livro A� dada pelos orA?culos contra as naA�A�es e Israel provavelmente se surpreende por ouvir seu nome entre os culpados. A surpresa aumenta nos capA�tulos seguintes pois o tom A� mudado de ameaA�a para a certeza do juA�zo divino (Am. 6:7).

Esses orA?culos condenatA?rios foram dirigidos para a corte real (governo), a nobreza (empresA?rios) e para o sacerdA?cio (religiosos). Cada orA?culo A� composto das caracterA�sticas comuns da denA?ncia profA�tica:

 

  • FA?rmula do mensageiro de JavA�: “Assim diz o Senhor”
  • Apontamento do pecado
  • TransiA�A?o: “por isso”, “eis que”, “portanto”
  • AmeaA�as de julgamento
  • AnA?ncio da puniA�A?o

 

Neste caso especA�fico, AmA?s se dedicou a destacar os crimes propriamente ditos, com detalhes impressionantes. A sA�rie de sentenA�as estA?o em: Am. 2:13-16; 3:12-15; 4:12; 5:16-17; 6:7-11.

A partir do capA�tulo sete, com as visA�es, a acusaA�A?o sai de cena para a A?nfase no julgamento. Agora o livro passa a descrever longos julgamentos com a descriA�A?o detalhada dos pecados para justificar a puniA�A?o inevitA?vel.

Como toda palavra profA�tica, AmA?s termina seus orA?culos com salvaA�A?o e restauraA�A?o. Entretanto, a salvaA�A?o nA?o substituiria a puniA�A?o, mas viria apA?s a puniA�A?o. O reino de Davi seria restaurado como cumprimento da promessa a Davi (2 Sm. 7; Am. 9:11-12).

 

PropA?sito e conteA?do

 

O livro de AmA?s aborda os seguintes temas:

 

  • JavA� cobra as naA�A�es sobre sua polA�tica social
  • A justiA�a social A� resultado da verdadeira adoraA�A?o
  • O julgamento de JavA� tambA�m atingirA? Israel
  • JavA� restaurarA? um remanescente de Israel

 

O quadro de idolatria e injustiA�a social levaram AmA?s a sair de JudA?, Reino do Sul, para Israel, Reino do Norte. O resumo de suaA� mensagem estA? registrado no verso 8:2.

AmA?s transmite seus orA?culos de forma lA?gica e ordenada, por meio de quatro mensagens, fundamentadas no julgamento e exA�lio de Israel, conforme abaixo:

 

  • Primeira mensagem (2:6-16): O pecado de Israel A� apontado e a consequA?ncia serA? a suaA� destruiA�A?o como cumprimento da desobediA?ncia A� AlianA�a. Israel achava que o Senhor nA?o puniria seu povo; logo, AmA?s desmistificou esta visA?o que os israelitas tinham de Deus.
  • Segunda mensagem (3:1 – 6:14): A injustiA�a social e a falsidade religiosa sA?o condenadas. AmA?s apela ao povo para que se arrependam e retornem aos padrA�es da AlianA�a. A ideia do Dia do Senhor como um dia de bA?nA�A?o tambA�m A� corrigida (Am. 5:18-20).
  • Terceira mensagem (7:1 – 9:4): Para confirmar os orA?culos do profeta, sA?o apresentadas cinco visA�es que destacam a ira e o julgamento do Senhor contra Israel e a certeza de sua destruiA�A?o.
  • Quarta mensagem (9:5-15): TA�rmino do ministA�rio de AmA?s e a esperanA�a da restauraA�A?o de Israel como prova do amor do Senhor A� anunciada. O julgamento nA?o duraria para sempre.

A�

JustiA�a Social

AmA?s resgatou as estipulaA�A�es da AlianA�a que incluA�a o aspecto A�tico em relaA�A?o do prA?ximo como parte do amor a Deus. Por isso ele apela em favor de todos os pobres, injustiA�ados e oprimidos pelos ricos, comerciantes desonestos, lA�deres corruptos, juA�zes sem escrA?pulos e falsos sacerdotes (4:1; 6:1,4; 7:8-9).

AmA?s fornece diretivas essenciais para a aA�A?o social da Igreja na comunidade onde estA? inserida. De acordo com AmA?s, o povo escolhido de Deus deve primar pela justiA�a social como um aspecto essencial da AlianA�a.

 

Ensino sobre serviA�o e aA�A?o social em AmA?s

ServiA�o social AA�A?o social
Alivio da necessidade humana (5:12) RemoA�A?o da necessidade humana (8:4-6)
Atividade de filantropia (4:5; 6:4-7) Atividade polA�tica e econA?mica (5:10,11,15)
Ajuda individual e familiar (4:1; 5:6-7) TransformaA�A?o das estruturas da sociedade (4:4-5; 7:7-9)
Obras de misericA?rdia (4:1; 6:4-7) Busca pela justiA�a (2:6-8; 5:7,24; 6:12)

HILL, Andrew & WALTON, John. Panorama do Antigo Testamento, p. 539.

 

JavA� como Deus supremo

NA?o podemos apenas associar AmA?s com seu clamor pela justiA�a social. O profeta clama por justiA�a a partir do seu elevado senso A�tico da AlianA�a de JavA� com seu povo, que passava pelo amor ao prA?ximo.

Para AmA?s, a injustiA�a social era reflexo da falta de importA?ncia que os israelitas deram A�s estipulaA�A�es da AlianA�a, e, antes de nA?o amarem ao prA?ximo, na realidade, nA?o amavam a Deus em primeiro lugar.

Os crimes contra a humanidade, que foram condenados em todas as naA�A�es eram pecado contra o prA?prio Criador de todos os seres humanos.

Leia o artigo original no blog do autor.

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